quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Aftas: Causa, sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção


São normalmente pequenas lesões que se desenvolvem em sua boca ou na base de suas gengivas. Elas são irritantes e podem fazer comer, beber e falar desconfortavelmente. 

Fatores que podem te colocar em risco de desenvolver úlceras na boca são o fato de ser mulher ou ter um histórico familiar de úlceras da boca.

Úlceras na boca não são contagiosas e geralmente desaparecem dentro de uma semana. No entanto, se você receber uma afta que é grande ou extremamente dolorosa ou se durar por um longo tempo, sem cura, você deve procurar a assistência de um médico.

Causa

Não há uma causa definitiva para trás úlceras da boca. No entanto, certos fatores foram identificados. Estes incluem:

1. Pequenas lesões em boca de trabalho dental, escovação duro, lesão esportiva, ou mordida acidental
2. Cremes dentais e enxaguatórios bucais que contêm lauril sulfato de sódio
3. Sensibilidades alimentares aos alimentos ácidos, como morangos, citrinos e abacaxis e outros alimentos de gatilho, como chocolate e café
4. Falta de vitaminas essenciais, como B-12, zinco, ácido fólico e ferro
5. Resposta alérgica a bactérias da boca
6. Influxos hormonais durante a menstruação
7. Estresse emocional
8. Infecções bacterianas, virais.

Úlceras na boca também pode ser um sinal de condições que são mais graves e requerem tratamento médico, tais como:

Doença celíaca (uma condição na qual o corpo é incapaz de tolerar o glúten)
Doença inflamatória do intestino (IBD)
Doença de Bechet (uma condição que causa a inflamação por todo o corpo)
Um mau funcionamento do sistema imunológico que faz com que seu corpo para atacar as células saudáveis na boca em vez de vírus e bactérias
HIV / SIDA

Sintomas

Existem três tipos de aftas: pequenas, grandes, e herpetiforme.
Aftas menores são pequenas úlceras em forma oval que curam dentro de uma a duas semanas sem cicatriz.

Grandes aftas são maiores e mais profundas. Elas têm bordas irregulares e podem levar até seis semanas para cicatrizar. Grandes úlceras na boca podem resultar em cicatrizes extensas.

Aftas herpetiforme são de um tamanho milimétrico, ocorrem em grupos de 10 a 100, e muitas vezes afeta adultos. Este tipo de úlcera na boca tem bordas irregulares e curam sem cicatriz dentro de uma a duas semanas.

Se desenvolver algum dos seguintes sintomas, você deve ver um médico:

- Grandes úlceras na boca
- Novas úlceras na boca antes das antigas se curarem
- Feridas que duram mais de três semanas
- Ulceras na boca que se estendem para os lábios
- Dor que não pode ser controlada com medicamentos naturais
- Graves problemas de comer e beber
- Febre alta ou diarreia quando as aftas aparecem



Diagnóstico

O seu médico será capaz de diagnosticar úlceras na boca, com apenas um exame visual.

Tratamento

A maioria das úlceras na boca não precisa de tratamento. No entanto muitas vezes elas são extremamente dolorosas, há uma série de tratamentos que podem diminuir a dor e o tempo de cura, como:
1. Usando um enxugamento de água salgada e bicarbonato de sódio.
2. Colocando leite de magnésia na úlcera na boca.
3. Cobrindo úlceras com bicarbonato de sódio pasta.
4. Usando produtos de benzocaína como Orajel ou Anbesol.
5. Aplicação de gelo nas aftas.
6. Usando bochecho que contém esteroide para reduzir a dor e inchaço.
7. Usando pastas tópicas.
8. O uso de esteroides por via oral.
9. Colocação de sacos de chá úmido em sua úlcera na boca.
10. Selar o tecido com um cauterizador químico como nitrato de prata.
11. Tomando suplementos nutricionais, como ácido fólico, vitamina B6, vitamina B12, e de zinco.
12. Tentando remédios naturais, como chá de camomila, equinácea, mirra, e alcaçuz.

Prevenção

Há passos que você pode tomar para reduzir a ocorrência de úlceras da boca. Evitar alimentos que irritam sua boca pode ser útil. Isso inclui frutas ácidas, como abacaxi, laranja, ou limão, também nozes, batatas fritas, ou qualquer coisa picante. Em vez disso, escolha grãos inteiros e alcalinos (não ácidos) frutas e legumes.

Tente evitar falar enquanto você está mastigando a comida. Reduza o estresse e mantenha uma boa higiene oral, usando fio dental e escove diariamente após as refeições.

Alguma pessoa tem ulceras quando evitam escovas de cerdas macias e enxaguatórios bucais que contêm lauril sulfato de sódio. Se você tiver dispositivos de boca odontológicos ou ortodônticos com bordas afiadas, deve cobrir as bordas com cera que o seu dentista pode lhe dar.( Fonte: Mauricio Ferrufino Sequeiros )


Facetas laminadas: Perguntas e respostas


O laminado é uma restauração que envolve apenas a fase vestibular (frontal) dos dentes. Esse tipo de restauração pode ser executada com resina composta (diretamente na boca do cliente), com resina elaborada laboratorialmente ou, ainda, com porcelana, que traz as vantagens estéticas e de estabilidade de cor , também executadas no laboratório, ou seja, fora da boca.

Em que situação é recomendada?

A faceta laminada geralmente é recomendada por motivos estéticos, tais como dentes escuros ou excessivamente restaurados na fase frontal; além disso, pode corrigir o aspecto anatômico de dentes malformados.

É uma novidade na Odontologia?

Sim. Ainda são poucos os dentistas que fazem esse tipo de trabalho.

Qual a vantagem desse tratamento?

A vantagem primordial consiste na preservação de estrutura bucal sadia. Com essa técnica, desgastam-se menos os dentes.

Substitui a coroa de jaqueta?

Com certeza, nos casos onde é apenas necessário restaurar a face frontal (vestibular) dos dentes, não estando as outras faces comprometidas por cáries ou restaurações, a ponto de justificar o desgaste para a colocação de jaqueta ou coroa metalocerâmica.

É resistente?

Os processos atuais e os materiais de confecção empregados hoje em dia, bem como a evolução dos métodos de colagem, tornaram as facetas laminadas um tratamento bastante confiável.

Destaca-se facilmente?

Não, desde que se providencie boa colagem e boa silanização (processo que possibilita adesão da resina com a superfície interna da faceta de porcelana).

A cor se mantém?

Como as porcelanas têm boa estabilidade de cor, as facetas confeccionadas com esse material não sofrem alteração.

Precisa de controles e manutenção periódicos?

Como qualquer tipo de restauração, as facetas laminadas exigem reavaliação constante; contudo, a manutenção consiste apenas na higienização das superfícies dentais e, em especial, da junção dente-restauração.

Enquanto é feita, os dentes ficam desprotegidos?

Durante a fase de confecção da faceta laminada no laboratório, o dentista deve colocar uma faceta de resina provisória com adesão limitada a uma pequena área, para facilitar a remoção na consulta final.

O custo é alto?

O custo é comparável ao de uma coroa metalocerâmica ou coroa totalmente cerâmica.

Qual a durabilidade?

A durabilidade está associada ao sucesso da colagem, tanto na superfície cerâmica quanto no dente, pois a porcelana, uma vez colada, torna-se extremamente resistente. (Fonte: Odontologia Integral)

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Endodontia: Perguntas e respostas


O que é o tratamento de canal ou endodontico?

Ele consiste na remoção da polpa dental, uma estrutura viva que contém, entre outros elementos, nervos e vasos sangüíneos.

Quais são os sintomas mais característicos para se indicar o tratamento endodôntico?

Dor espontânea, isto é, quando o dente começa a doer sem estímulo – de forma latejante, não muito bem localizada e que aumenta com o calor. Nesse caso, a polpa ainda está viva, porém inflamada, e o uso de analgésicos não resolve. Já quando há morte da polpa, geralmente a dor é bem localizada, havendo sensação de "dente crescido" e dor ao mastigar. Além disso, ao se abaixar a cabeça, tem-se a sensação que o dente "pesa".

Sempre que um dente dói, deve receber tratamento endodôntico?

Não. Os dentes podem ter resposta dolorosa a qualquer estímulo fora do normal: frio intenso, calor intenso, doce e salgado. Esses sintomas são observados em dentes cariados, em dentes com colo exposto (retração da gengiva) e em dentes submetidos a carga intensa (durante a mastigação). Nesses casos, removendo-se a causa, cessa a sensibilidade.

Por que um dente necessita de tratamento de canal?

De modo geral, o tratamento é indicado em duas situações:
1) quando a polpa vital se apresenta inflamada, com dor espontânea (pulpite) em decorrência da exposição da dentina por cárie profunda, fratura da coroa, retração gengival, etc.

2) quando a polpa perde a vitalidade (polpa necrosada) e compromete a estrutura que envolve a raiz, provocando inflamação da membrana periodontal e do osso de modo assintomático (granulomas e cistos).
O dente que apresenta tratamento de canal é considerado um dente morto?

Não, pois embora o dente não contenha mais a estrutura vital no seu interior (a polpa), o dente é envolvido em toda a sua superfície externa por um ligamento vivo (membrana periodontal), permitindo que esse elemento dental continue a executar suas funções normais sem nenhum prejuízo.

O tratamento de canal enfraquece os dentes?

O que causa enfraquecimento dos dentes é a perda da estrutura dental causada geralmente pela cárie que, por sua vez, leva o dente a necessitar dotratamento de canal.

Quantas sessões são necessárias para realização do tratamento de canal?

Se o profissional tiver experiência e habilidade suficientes, pode realizar o tratamento de canal em apenas uma sessão, especialmente se o dente não estiver infectado (se não houver presença de bactérias no canal). Na presença de pus, hemorragia persistente, tumefação ou em retratamentos e casos especiais, os tratamentos de canal podem serrealizados em sessões múltiplas.

Por que algumas vezes é necessário realizar o retratamento do canal?

Quando o tratamento de canal anterior não foi bem executado por algum motivo (dificuldades anatômicas, raízes com curvaturas acentuadas, canais calcificados etc., ou quando o dente não foi devidamente restaurado, pode ocorrer a recontaminação do canal pelas bactériaspresentes na saliva, levando a necessidade do retratamento.

O tratamento é muito dolorido?

Com o uso da anestesia, o tratamento é indolor e, às vezes, nos casos de polpa mortificada, nem é necessário anestesiar. Pode se desconfortável por ser necessário permanecer muito tempo com a boca aberta.

Após as sessões de tratamento , é comum sentir dor?

Não. O que pode acontecer nas primeiras 48 a 72 horas é ficar com uma sensação dolorosa decorrente da aplicação do anestésico no dente e da manipulação do dente, que pode ser resolvida pela ingestão de analgésicos tipo AAS.

O dente com canal tratado pode voltar a doer algum dia?

Sim. Mesmo que o tratamento de canal tenha sido bem executado, o dente pode voltar a doer se não receber restauração definitiva ou se ocorrer uma cárie profunda permitindo a recontaminação do canal.
Para entender a pulpite (inflamação da polpa):
Hiperemia pulpar
Hiperemia (pulpite focal reversível).

Consiste numa ligeira inflamação da polpa na tentativa de se defender contra o agente agressor.

Nesta fase da inflamação, chega à polpa excessiva quantidade de sangue. Se o agente agressor persistir, a hiperemia agrava-se e, desta forma, a circulação de retorno torna-se dificultada.

Neste estado, a inflamação pode regredir sem deixar estigmas, desde que seja eliminado a causa que a motivou. Porém, se o agente agressor continua, a inflamação se agrava de tal modo que maior quantidade de exsudato difunde-se no interior do tecido conjuntivo. Esse exsudato, de natureza serosa, infiltra na malha conjuntiva exercendo pressão sobre os vasos e nervos.

Como a polpa está circunscrita por paredes não-elásticas (dentina), ela tem uma capacidade de dilatação limitada e, então, a inflamação, na tentativa de vencer o agente agressor, acaba por destruir os próprios tecidos da mesma. a esse estado de inflamação mais intensa dá-se o nome de pulpite. A partir desse momento, a polpa está irremediavelmente perdida.

A hiperemia ou pulpite focal reversível precede a pulpite aguda. Trata-se de uma lesão reversível, mas não deixa de ser um sinal de alarme, indicando que a resistência pulpar vai chegando ao limite extremo. Seu diagnóstico é de suma importância para evitar o sacrifício inútil da polpa. Se a hiperemia for acudida em tempo, eliminando a causa, ela regride e a polpa volta à normalidade. Mas, se a hiperemia for abando-nada à própria sorte, caminha inexoravelmente para a pulpite aguda.

A diferença clínica entre a hiperemia e a pulpite é, principalmente, de ordem quantitativa.
1 – Na hiperemia ou pulpite focal reversível, a dor é sempre provocada.
A dentina exposta (cárie, fraturas ou infiltração em restaurações) mostra-se extremamente sensível às substâncias açucaradas, ácidas (pressão osmótica).

2 – Os dentes hiperêmicos, ainda que restaurados, são sensíveis às mudanças súbitas de temperatura, por algum tempo.

3 – A dor é defragada, sobretudo pelo frio e cessa assim que se estabelece o eqüíbrio térmico.
Nota!
Na fase inicial da hiperemia a dor é provocada e de curta duração, e desaparece num pequeno espaço de tempo.

4 – A medida que o processo inflamatório evolui, o total desaparecimento das dores provocadas se tornam cada vez mais demorado, devida ao progressivo retardamento da drenagem venosa.

5 – Num estado mais avançado surgem dores aparentemente espontâneas, mas na verdade são dores provocadas por estímulos mínimos, tais como o aumento do fluxo sangüíneo cefálico, que ocorre no decúbito dorsal ou depois de trabalho muscular prolongado.

6 – Na hiperemia ou pulpite focal reversível, a dor é sempre:
provocada, de curta duração e localizada.

Estabelecido o diagnóstico de hiperemia ou pulpite focal reversível, o tratamento consiste na remoção da causa que a defragou. O prognóstico da hiperemia é favorável ao dente e à polpa.

Fase de transição:

Nesta fase as dores se tornam incomodas e o paciente necessita do emprego de analgésicos para eliminá-las. As dores são intermitentes, isto é, comportam intervalos assintomáticos.

O encurtamento destes intervalos e a ineficácia cada vez mais acentuada dos analgésicos indicam que a polpa vai esgotando sua capacidade defensiva e que está iminente o estabelecimento da pulpite aguda.
Nesta situação a reversibilidade é problemática.

Sempre que se trata o canal o dente escurece?

Não. O que acontece é a perda de brilho , o que dá um aspecto amarelado. O escurecimento acentuado só acontece quando o dente sofre uma hemorragia ou mortificação pulpar antes do tratamento ou, então, por erro técnico.

O que poderá ocorrer se o tratamento endodôntico não for realizado?

Poderá se desenvolver uma lesão na região apical; (infecção na raiz e nos tecidos vizinhos), que poderá ter conseqüências mais sérias, como dor intensa, inchaço, febre e bacteremia (bactérias na corrente sangüínea). A única solução a partir daí poderá ser a extração do dente. (Fonte: Dr. Mauricio Ferrufino Sequeiros - Odontologia integral)


sábado, 24 de outubro de 2015

Planejamento digital do sorriso: DSD (Digital Smile Designer) - PDS (Planejamento Digital do Sorriso)


A tecnologia está presente em quase todas as profissões, para facilitar e agilizar o trabalho e ter resultados melhores. A Odontologia não ficou de fora: o Planejamento Digital do Sorriso ou Digital Smile Design (DSD) surgiu para que o cirurgião-dentista planeje e visualize como seu tratamento poderá deixar a arcada e a dentição do paciente mais bonitas e funcionais. Antes de iniciar os primeiros passos, o profissional consegue planejar todo o tratamento a ser feito.



A tecnologia já possibilitou às pessoas visualizarem, antecipadamente, os possíveis resultados de cirurgias plásticas, de cortes de cabelo (visagismo), de construções e reformas arquitetônicas, todas elas antes mesmo de saírem do papel (ou da tela do computador) para a realidade. Agora foi a vez da Odontologia, para os dentistas poderem evitar tratamentos com maus resultados e antiestéticos.



O criador do Digital Smile Design, o dentista brasileiro Christian Coachman*, explica a técnica: "Planejar o sorriso é possível através dessa técnica, que faz a leitura da arcada e envia as imagens para um software. Ele mostra, em minutos, como será o resultado final, que chamamos Digital Smile Design. Se antes o paciente levava anos para saber o resultado final do tratamento, a partir de agora, levará pouco tempo", afirma Coachman.



Os procedimentos buscam unir o desejo estético com a funcionalidade da boca, incluindo qualidade de mastigação, das articulações e alinhamentos dos dentes e gengiva. Isso porque o grande objetivo do DSD é criar um visual que esteja de acordo com as necessidades funcionais, estéticas e até emocionais do paciente. Essa soma aumenta as possibilidades de atender às expectativas que ele tem ao buscar o tratamento. "Através do DSD, o planejamento será feito da melhor maneira, de forma que combine a harmonia do sorriso com o rosto do paciente", complementa Coachman.



O software inovador permite que a equipe dental possa projetar um modelo 3D do novo sorriso. "O conceito preconiza que todos esses problemas podem ser resolvidos por meio da análise de fotos e vídeos. Essas imagens são compartilhadas on-line com os especialistas, para que este planejamento digital se transforme num planejamento, de fato. Essas mesmas imagens, desenhos e simulações são utilizados na comunicação com o paciente, sendo uma verdadeira revolução do sorriso", complementa o precursor da técnica.



"Cada caso é único", lembra Coachman, por este motivo, cada sorriso é feito de acordo com a harmonia e com os tamanhos da boca e dos dentes. Os pacientes costumam ficar satisfeitos com o planejamento digital do sorriso: "Eles sabem, no primeiro instante, como será o resultado final, então, não há falsas expectativas".



O DSD começou com o Dr. Christian, que buscou uma forma de melhorar a comunicação entre dentistas e protéticos e pacientes, melhorando os resultados e a rapidez dos tratamentos realizados. O Planejamento Digital do Sorriso (PDS) foi idealizado pelo Prof. Dr. Flavio Queiroz Henriques**, que após anos de estudos em Bauru (SP) e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desenvolveu a técnica. Ele despontou no cenário nacional em 2012 e, a partir de então, foi convidado para ministrar cursos em nível nacional.



"O PDS é uma técnica de diagnóstico, simulação e criação de sorrisos digitais no computador, mediante a captação de imagens via tecnologia digital, que vem revolucionando os maiores centros de referência em Odontologia ao redor do mundo, proporcionado previsibilidade estética aos pacientes, técnicos em Prótese Dentária e cirurgiões-dentistas. O PDS auxilia na rápida visualização do tratamento (previsibilidade) finalizado, facilitando a aceitação do tratamento odontológico proposto, além de evitar, muitas vezes, abordagens desnecessárias e cirurgias gengivais nos pacientes", explica o Dr. Flavio.



Ele também lembra que a técnica precisa ser feita após algum curso que ensine a realizar o planejamento através da foto digital e do software, mas que "o conhecimento do profissional em Odontologia é fundamental para associar a imagem digital a um plano de tratamento real". Com isso, o paciente é tratado de forma individual e personalizada, levando em conta seus desejos e frustrações em tratamentos anteriores.

No início de 2013, o Dr. Flavio ministrou cursos e treinamento para o PDS, em Santa Catarina, para o doutor em Odontologia e periodontista José Luiz do Couto***, que utiliza a técnica e já está sendo reconhecido por oferecer este tratamento na região. "Depois de 30 anos realizando próteses sem o devido planejamento, agora conseguimos, com o Planejamento Digital do Sorriso, minimizar esses erros. O mais importante desta técnica é que o paciente poderá vislumbrar como ficarão os seus dentes e seu sorriso com o tratamento. Porém, nunca prometo que ficará exatamente igual às imagens. No entanto, conseguimos perceber o que mais agradou, em relação ao tamanho dos dentes, altura gengival, cor, entre outros", detalha o Dr. Couto.



O paciente se submete a um protocolo fotográfico, onde são analisados os aspectos faciais, estéticos e dentais. Simultaneamente, obtêm-se moldes das arcadas do paciente. "A partir da coleta de informações, cria-se um novo sorriso no computador e, após a aprovação do paciente, damos início a elaboração do sorriso provisório (mock-up) que será instalado sobre os dentes do paciente. Com aprovação do sorriso provisório, iniciam-se os ajustes e preparos dos dentes para finalização do tratamento", explica ele.

Para realizar a técnica, segundo o cirurgião-dentista, o profissional deve ter informação básica dos softwares de apresentação de slides, de fotografia digital e conhecimento específico da especialidade em questão. Os equipamentos que precisam ser utilizados na técnica são paquímetros, compasso de proporção áurea, régua de Fox, materiais de moldagem, cera e lapiseira. Além destes, uma máquina digital, um computador com o software de apresentação de imagem instalado - para usuários de Mac o Keynote e de Windows o PowerPoint.



Dentre os benefícios para o dentista, segundo o Dr. Couto, é "a previsibilidade de forma, cor, tamanho dental, além da estética facial oferecida e antecipação a erros e facilidade na comunicação interdisciplinar e multidisciplinar". Para o paciente é a "maior segurança na hora de decidir se o tratamento proposto é o que ele deseja realizar (previsibilidade estética)".

O progresso da técnica pode ser ainda maior, conforme as tecnologias também progridem. "O avanço já está acontecendo, os computadores estão sendo associados à fresadoras que, em muitas situações, auxiliam o protético da fase laboratorial de construção da prótese", acrescenta.

Para se profissionalizar, há cursos de PDS ministrados por alguns profissionais do Brasil, apesar de ser uma técnica muito nova no País. "Indico o professor Dr. Flavio Queiroz Henriques, pois conheço seu trabalho. Mas, existem outros cirurgiões dentistas que também ministram cursos de planejamento digital; são poucos", sugere Dr. Couto.



O cirurgião-dentista indica, ainda, que o dentista realize todas as avaliações possíveis, para só depois iniciar a técnica. Também é preciso ter cuidado com o discurso dado ao paciente, evitando as falsas promessas. "É melhor que seja feito o maior número possível de avaliações dentro de cada especialidade. Sempre dizemos aos pacientes que faremos o melhor que pudermos, e o que seu caso permita. Nunca dizemos aos pacientes que vai ficar igual aos dentes de determinado artista", ressalta.

Não há ainda regulamentações específicas para a prática, mas o Dr. Couto afirma que as regulamentações "estão ligadas aos limites permitidos pelo código de ética que regem as diversas áreas de Odontologia. Só serão utilizadas técnicas permitidas e regulamentadas pelo Conselho Regional de Odontologia (CRO)".

O Dr. Couto lembra como é importante a estética do sorriso no paciente. "Rir estimula a ação dos neurotransmissores - responsáveis pelo estado psicológico do ser humano. Esse processo influi na saúde geral do indivíduo. Há que se ter sempre em mente que a saúde e a beleza começam pela boca. Não há dúvidas de que um sorriso bonito aumenta a autoestima da pessoa e a estimula a preocupar com outras partes do corpo, além de restabelecer o bem-estar social e psicológico, devolvendo a possibilidade da simples manifestação de felicidade, que é poder sorrir", diz.

Ele relata que muitos pacientes se apresentam, no início do tratamento, obesos, depressivos, retraídos e, por motivo estético, não praticavam o sorriso. "Depois de realizados a técnica e o tratamento, os pacientes tiveram a autoestima aumentada e, por consequência, perderam peso e puderam sorrir com naturalidade. Em outras palavras, readquiriram a alegria, o bom humor e o prazer de viver. E essa é nossa missão ética", conclui. (Fonte: Odontomagazine)

* Christian Coachman é formado em Prótese Dentária e em Odontologia pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Academia Brasileira de Odontologia Estética (Aboe). Participou do programa de especialização em cerâmica no Centro de treinamento Ceramoart; foi instrutor na mesma escola.

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** Flavio Queiroz Henriques é especialista e Mestre em Prótese Dental. Professor Assistente da UFRJ - UFF na disciplina de Prótese Dental, pós-graduado em Prótese sobre Implantes, Reabilitação Oral, Dentisteria. Professor do curso de Planejamento Digital do Sorriso.

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*** José Luiz do Couto é cirurgião-dentista graduado pela Escola de Farmácia e Odontologia de Alfenas (Efoa), especializado em Prótese Dentária e mestrado em Periodontia e doutor em Odontologia na área de Clínica Odontológica e subárea de Periodontia pela Universidade Vale do Rio Verde (Unincor). É conselheiro do Conselho Regional de Odontologia de Santa Catarina (CROSC).

Qual é o pior anestésico do mercado?


Sei que falar mal de um produto não é algo “academicamente" elegante e tenho certeza que muitos irão me criticar. Porém, eu não escrevo neste blog para ficar popular mas sim para te ensinar o que eu aprendi estudando, ensinando anestesiologia e principalmente: passar para você o que eu aprendi durante anos la na trincheira (consultório).

É muito comum me perguntarem:

- Qual o melhor anestésico? 
- Não existe uma resposta certa pois a escolha do anestésico ideal depende de vários fatores, sendo assim não tenho uma resposta na ponta da língua. Porém, como consolo, eu digo:
- Qual é o melhor anestésico eu não posso dizer, mas o pior anestésico local disponível no Brasil é o Lidostesim 3% (lidocaína 3% com norepinefrina 1:50.000)

Mas qual é o motivo? na verdade são 3 motivos. Irei citá-los por ordem de importância:

1)    NOREPINEFRINA (vasoconstritor)

Também chamada de Noradrenalina. É sem sombra de dúvida o pior vasoconstritor. Pode provocar aumento súbito da pressão arterial e a pode gerar até mesmo necrose tecidual. Segundo Malamed é associada a um índice de efeitos colaterais 9x maior do que a adrenalina. Nos EUA é proibido em soluções anestésicas odontológica.

2)    LIDOCAÍNA 3%

A eficácia da concentração de lidocaína 2% está mais do que comprovada. Não há necessidade nenhuma de se usar 3%, ainda mais associando-se a um vasoconstritor. A essa concentração, aumenta-se o risco de sobredosagem, principalmente ao se utilizar em pacientes de baixo peso.

3)    TUBETE DE PLÁSTICO

O tubete de plástico apresenta várias desvantagens em relação ao tubete de vidro. Eu discuto sobre esse assunto em outro post.

Resumindo: uma concentração anestésica desnecessariamente alta (3%) associado a um vasoconstritor que não deveria estar disponível em soluções odontológicas e tudo isso no interior de um tubete de plástico. (Fonte: Cirugia e anestésio - F. Giovanella)




Qual é o anestésico mais indicado para gestantes quando se faz o tratamento oral?


Com relação a gestantes, o melhor momento para o atendimento é no 2o. trimestre. Devemos ter em mente algumas considerações para que possamos optar pela anestésico local e vasocontritor mais apropriado.

A prilocaína deve ser evitada por 2 motivos:

Existe uma potencial chance de produzir metemoglobinemia no feto, além de que algumas gestantes apresentam anemia durante a gravidez.

A única disponibilidade deste anestésico no Brasil é associada a felipressina que possui características ocitotóxica.

A articaína também apresenta potencial de induzir metemoglobinemia.
A mepivacaína não apresenta uma boa metabolização pelo fígado do feto, portanto, deve ser evitada em gestantes.

Desse modo, podemos dizer o anestésico mais indicado para gestantes será a:
lidocaína 2% com epinefrina 1.100.000. ( Fonte: Dr. Mauricio Ferrufino Sequeiros )

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Cuidados bucais em pacientes cardiopatas




As mudanças econômicas e sociais, decorrentes da revolução industrial e tecnológica, trouxeram consigo a alteração do perfil de morbidade e mortalidade da população. Hoje, é possível perceber o predomínio das patologias crônicas não transmissíveis, como o câncer e as doenças cardiovasculares (DCV).

Segundo informações do Ministério da Saúde, o Brasil ocupa posição privilegiada no ranking dos 10 países com maior taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares. Em 2002, o país registrou um número alarmante de óbitos causados por DCV. Foram 267.496 mortos vítimas das 'armadilhas do coração'. 

De acordo com a Dra. Itamara Lucia Itagiba Neves, cirurgiã-dentista da Unidade de Odontologia do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), dados atuais assinalam que as doenças cardiovasculares são responsáveis por 29,4% das mortes registradas em um ano no Brasil, sendo o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC) as principais causas. "A prevalência das DCV apresenta tendência de crescimento nos próximos anos, pelo aumento da população idosa, pelos hábitos inadequados de alimentação, tabagismo e baixa atividade física. Ou seja, idosos apresentam condições que predispõem maior chance de desenvolver uma DCV. São os chamados fatores de risco, que podem ser divididos nas conhecidas classes de imutáveis e mutáveis", explica.

Sobre as interações possíveis entre a boca, o coração e a saúde geral, a especialista explana que ocorrem influências nos dois sentidos, ou seja, doenças bucais podem causar doenças cardíacas, e estas podem causar manifestações bucais. "Como exemplo, os focos infecciosos bucais levam à bacteremia, que pode ser responsável pela Endocardite Infecciosa em pacientes portadores de doenças das valvas cardíacas. Da mesma forma que um paciente transplantado em episódio de rejeição terá a prescrição de corticosteroides e imunossupressores aumentada, propiciando o aparecimento de infecções oportunistas na cavidade bucal. Outro exemplo é a queixa de 'secura bucal' em pacientes em uso de determinados anti-hipertensivos. Em relação à saúde geral, podemos mencionar a resposta imunológica diminuída em idosos diante de um abscesso dental, culminando em septicemia; ou o alto de risco de hemorragia após exodontia realizada em um paciente hepatopata pela falta de planejamento pré e transcirúrgico. Outra manifestação bucal bastante difundida, atualmente, é a mucosite em diferentes graus decorrente de radioterapia. Nossos sistemas atuam em consonância e simultaneamente, portanto, sempre haverá algum tipo de interação ao realizarmos procedimentos e prescrevermos drogas. E sempre ocorrerão repercussões bucais quando houver problemas de saúde geral".

O cirurgião-dentista precisa estar atento a todos os sinais de DCV apresentados pelo paciente. Para isso, é preciso que o profissional de saúde bucal conheça sobre todas as cardiopatias. "O conhecimento sobre todas as DCV é fundamental para que o dentista possa intervir com segurança. O desconhecimento pode gerar a falta ou o excesso de cuidados e criar ou ignorar riscos. Casos mais complexos irão exigir discussão do caso com o médico, interpretação - ainda que superficial - de exames específicos, assim como conhecer possíveis interações medicamentosas com nossas prescrições e a ação dessas drogas no organismo. Isto nos remete à importância da anamnese ser completa e bem direcionada para detecção de doenças cardíacas e outras. Importante salientar que devemos atualizar as informações a cada retorno do paciente, pois, são pacientes, na sua maioria, passíveis de instabilidade do quadro. Podemos destacar entre as principais doenças cardiovasculares: as doenças das valvas cardíacas, as doenças isquêmicas, as miocardiopatias, as arritmias cardíacas e as doenças cardíacas congênitas. Lembrando que estas podem se apresentar em grau discreto, moderado ou grave, estável ou instável, dependendo do grau de insuficiência cardíaca que a doença esteja apresentando. Pacientes têm tido aumento de sobrevida graças ao conhecimento aprofundado das doenças cardiovasculares, mas, ressaltamos que continuam sendo pacientes que exigem planejamento para seu atendimento, diante dos quais devemos prever intercorrências, evitando ou estando prontos para atuar diante delas", esclarece a Dra. Itamara Lucia Itagiba Neves.


Equipe multidisciplinar em ação

Muito material tem sido publicado na literatura científica nacional e internacional sobre um protocolo ideal de atendimento odontológico para os pacientes cardiopatas. 

Utilizando descritores, como heart disease e dentistry em bases de dados, como o PubMed, centenas de artigos estarão disponíveis, gratuitamente, sobre os mais diferentes aspectos de importância para o cirurgião-dentista. "Os protocolos de atendimento odontológico são balizados nestes estudos, somados à experiência do grupo que atua diretamente com esses pacientes. Por exemplo, nosso grupo da Odontologia do Instituto do Coração do HCFMUSP tem experiência clínica que foi adquirida no dia a dia, baseada no conhecimento científico das indicações e características da lidocaína 2% como anestésico local e da epinefrina 1:100.000 como vasoconstritor. Utilizamos, com resultado positivo, a lidocaína 2% sem vasoconstritor para procedimentos de curta e média duração. Você poderá ouvir de outros grupos, que baseados em vários artigos publicados, a não associação do vasoconstritor inviabiliza seu uso em qualquer procedimento odontológico.
Por que esta contradição entre duas expertises no assunto? Porque um grupo adquiriu experiência com uma solução anestésica e o outro por utilizar outra opção, que certamente é segura e ofereceu resultados positivos, defende o seu ponto de vista. O que enriquece e nos faz repensar nossas condutas, é a contínua troca de conhecimentos. Tais acontecimentos deixam claro que é preciso ler, selecionar e aplicar na clínica aquilo que a literatura nos oferece, além de sempre pesquisar, buscando respostas às perguntas, para encontrar o protocolo que nos deixe confortáveis e seguros", explica a Dra. Itamara. 

Uma equipe multidisciplinar qualificada de profissionais de saúde precisa estar bem entrosada para promover o atendimento odontológico com total segurança e qualidade. "Trabalhar em equipe multidisciplinar é ouvir e falar. Você deve ouvir o ponto de vista e aprender com o outro, assim como deve saber expressar o seu ponto de vista e transmitir o seu conhecimento. Não invadir a área de atuação do outro e ter perspicácia para que não interfiram na sua. É preciso entender que todos precisam de todos para atingir o objetivo: o bemestar, a cura e a qualidade de vida do paciente. E, sem dúvida, além de conhecimento, é preciso ter postura adequada, respeito e bom humor", enfatiza a Dra. Itamara Lucia, que também é coordenadora da Comissão de Ensino em Odontologia Hospitalar do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP).

A equipe, também chamada de pluridisciplinar, a qual envolve o cirurgião-dentista, não está livre de se deparar com alguma situação emergencial que exija a necessidade de intervenção odontológica mais invasiva. A cirurgiã-dentista ressalta que todo profissional de saúde bucal deve ser capacitado em Suporte Básico da Vida, para saber atuar diante de uma parada cardiorrespiratória (PCR). Este treinamento é oferecido por centros e associações ligadas à Cardiologia. Outras situações de urgência e de emergência podem ocorrer no consultório, para as quais o dentista deve estar preparado para reconhecer e agir, como síncope vasovagal, síncope cardiogênica, hipoglicemia, hiperglicemia, alergia, edema de glote, anafilaxia, arritmia cardíaca, crise hipertensiva, angina pectoris, infarto agudo do miocárdio, crise asmática, convulsões, queimaduras, entre outras. "A presença de alguns itens é fundamental no consultório odontológico, como cilindro ou concentrador de oxigênio, bombinha de salbutamol, comprimidos de dinitrato de isossorbida, dexametasona, hidrocortisona, entre outros. No atendimento de uma PCR, o desfibrilador externo automático (DEA) é imprescindível nos primeiros minutos da ocorrência. Hoje, é possível ter um DEA na clínica ou no prédio do seu consultório, pois o preço se tornou bem acessível".

Efetuar um tratamento mais invasivo requer a avaliação inicial do tempo necessário para realizá-lo, da dificuldade do acesso cirúrgico, do desconforto causado ao paciente, da técnica anestésica indicada, do nível de colaboração do paciente, da urgência desse tratamento e, sem dúvida, do estado geral do paciente. "A sedação consciente implica na capacitação do profissional e equipe, do cumprimento às normas da Vigilância Sanitária do local onde será utilizado, da resposta do paciente ao óxido nitroso e do tratamento que será feito. Caso o paciente responda positivamente a esta sedação, a extensão do procedimento e a anamnese é que determinarão sua viabilidade. Algumas cardiopatias que mantêm a saturação periférica de oxigênio abaixo do nível normal contraindicam sedação consciente. A anestesia geral, feita somente em centro cirúrgico, por vezes, torna-se mais segura, pois, a monitorização é realizada continuamente pelo anestesiologista capacitado para medicar e agir rapidamente diante de uma parada cardiorrespiratória. Mesmo que o cirurgião-dentista tenha treinamento, este tipo de socorro não faz parte da nossa rotina, portanto, dificilmente teremos experiência para agir rápido e corretamente", ressalta a Dra. Itamara. "Vale lembrar que alguns anestésicos são contraindicados para cardiopatas, como a bupivacaína. Porém, o que sempre há que se considerar é o tempo anestésico necessário, o peso do paciente, seu estado geral e a técnica anestésica indicada. A lidocaína 2% é segura para cardiopatas, como demonstrado na literatura. Nosso grupo apresentou cinco teses de doutorado com esse tema. A associação da epinefrina 1:100.000 como vasoconstritor pode ser utilizada quando indicada, aplicando-se lentamente e respeitando o volume de 0,036 mg (dois cartuchos) por sessão para pacientes graves. Havendo a necessidade de complementação, utilizar a lidocaína 2% sem vasoconstritor, respeitando a dose de 4,4 mg/kg de peso (dose máxima de lidocaína = 300 mg), aplicando com intervalos mínimos de cinco minutos", completa.


A conhecida e temida Endocardite Infecciosa

De acordo com a cirurgiã-dentista especialista em atendimento aos cardiopatas, a Endocardite Infecciosa (EI) é uma doença grave, de rápida evolução e de difícil diagnóstico. Resulta de uma complexa interação entre o patógeno presente na corrente sanguínea (bacteremia) com uma matriz de moléculas e plaquetas, originando um tipo de vegetação que colonizará locais onde há danos às células do endocárdio. Além disso, muitas das manifestações clínicas de EI derivam de resposta imunológica do hospedeiro ao microrganismo infectante.

Acredita-se que ocorra a seguinte sequência de eventos para resultar em EI: formação de um trombo isento de bactérias sobre a superfície de uma valva cardíaca ou outra área do endocárdio previamente lesado, ocorrência de bacteremia, adesão dessas bactérias ao trombo e multiplicação dessas bactérias dentro de uma vegetação. Esses danos em valvas cardíacas ou em outras áreas do endocárdio ocorrem quando há passagem anômala do fluxo de sangue de uma câmara cardíaca de maior pressão para a câmara de menor pressão, por meio de orifícios ou estreitamentos, produzindo turbulência desse fluxo, traumatizando o endotélio, causando o que chamamos de doença valvar adquirida. Ou quando há má formação desses tecidos endocárdicos durante a gestação, que são as doenças congênitas valvares. Uma das causas mais frequentes dos danos originados no endocárdio é a resposta imunológica de cerca de 1/3 das pessoas que adquirem infecção na orofaringe causada pelo Streptococcus ß-hemolítico do Grupo A, que têm o tecido valvar lesado, porque o organismo começa a fabricar autoanticorpos que reagem contra o tecido das valvas cardíacas. "Isto predispõe à deposição de plaquetas e de fibrina sobre essa superfície, resultando na formação dos trombos ainda isentos de bactérias. Quando ocorre a disseminação de determinadas espécies bacterianas na corrente sanguínea com potencial patogênico para colonizar estes locais, a EI pode ocorrer. Como sabemos, bacteremias são transitórias e ocorrem quando mucosas povoadas por uma microflora endógena sofrem algum tipo de trauma, como sangramento no sulco gengival ao redor dos dentes, na orofaringe, no trato gastrointestinal, uretra ou vagina, liberando diferentes espécies microbianas na corrente sanguínea. Bacteremias transitórias causadas porestreptococos do grupo viridans e outras comuns na microflora bucal, ocorrem durante extrações dentárias ou outros procedimentos odontológicos, assim como durante a escovação dental ou na mastigação. A frequência e a intensidade das bacteremias estão relacionadas com a natureza e magnitude do trauma tecidual, com a densidade da microflora e grau de inflamação ou infecção no local do trauma", acrescenta.



A especialista explica que as diferentes espécies bacterianas apresentam distinta capacidade de adesão, desempenhada pelos mediadores de adesão bacteriana, que determinarão a virulência na patogênese da EI. Esses mediadores estão localizados na superfície das bactérias e funcionam como adesivo da bactéria ao endocárdio lesado. Alguns estreptococos do grupo viridans possuem uma proteína de adesão que é um antígeno do receptor de lipoproteína I, que age como cola para o trombo isento de bactérias. Muito tem sido pesquisado no intuito de criar uma vacina contraestreptococos, o que seria de grande importância na prevenção da EI. "Os microrganismos, que se aderiram à vegetação, estimulam uma deposição ainda maior de fibrina e plaquetas em sua superfície, proliferando, agora, dentro da vegetação, o que favorece sua multiplicação em um curto período de tempo. Assim, prevenindo as doenças bucais, estaremos prevenindo bacteremias e, prevenindo também a EI, pois, os estreptococos do grupo viridans são responsáveis por mais de 40% dos casos de EI", completa. 



Sobre a incidência da doença, é possível constatar que, nos Estados Unidos, a EI em adultos varia de cinco a sete casos por 100.000 pessoas ao ano que desconheciam ser portadoras de doença valvar. Quando submetidas à troca da valva nativa doente por uma prótese valvar, o risco calculado é de 630 em 100.000 pessoas ao ano. Entre os que já tiveram EI, o risco é de 740 em 100.000 pessoas ao ano. A troca de uma prótese por outra prótese valvar eleva o risco para 2.160 em 100.000 pessoas ao ano. "Entre portadores de doença congênita da valva aórtica, o risco é de 271 em 100.000 pessoas ao ano, enquanto que defeito do septo ventricular apresenta um risco de 145 em 100.000 pessoas ao ano. Quando analisado o risco entre portadores de doença reumática valvar, o número se encontra entre 380 e 440 em 100.000 pessoas ao ano, número próximo do risco de EI entre os portadores de prótese valvar mecânica ou biológica que é de 308 a 383. Não existem estudos nacionais que nos permita comparar com os EUA", elucida a Dra. Itamara.

A importância do uso racional de medicamentos, defendida por entidades de saúde do mundo inteiro, também se destaca no caso da EI. A American Heart Association (AHA) estabeleceu e atualizou, ao longo dos anos, os regimes profiláticos para prevenção da endocardite infecciosa (EI), com base em estudos sobre o assunto. O consenso publicado em 1997 incluía entre os pacientes de risco para EI aos quais profilaxia antibiótica era recomendada, aqueles com doença cardíaca em valva nativa, além daqueles que possuíam prótese valvar.

Em 2007, o consenso excluiu deste grupo os portadores doença em valva nativa, citando que, no passado, doença em valva nativa derivada de doença cardíaca reumática era a condição que comumente predispunha à Endocardite e que ainda é comum em países em desenvolvimento. Em países desenvolvidos, a frequência de doença cardíaca reumática diminuiu, e o prolapso da valva mitral é agora a condição mais comum em pacientes com Endocardite Infecciosa.

Neste consenso de 2007, também foi afirmado que apenas um número restrito de casos de EI poderia ser prevenido por meio da profilaxia com antibióticos, ainda que fosse comprovada eficácia de 100% dessa profilaxia. "Os grupos do InCor da Odontologia, de Doença Valvar, de Cardiopatias Congênitas e a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, por meio de consenso, concluíram que a doença cardíaca reumática é uma realidade brasileira, sendo responsável pela maioria dos casos de EI que chega ao InCor, e ainda que não haja estudos que comprovem a eficácia da profilaxia antibiótica, um único caso de EI deve e precisa ser considerado em virtude da gravidade da doença. A AHA, ao selecionar somente as cardiopatias de alto risco para resultados adversos da EI para continuar a receber profilaxia antibiótica, permite-nos concluir que, para eles, existem casos de EI cujo quadro é menos agressivo. Isto não é a realidade, pois toda EI é grave, envolvendo risco de morte se não diagnosticada e tratada rapidamente. Desta forma, mantivemos como protocolo e as recomendações da AHA de 1997", afirma Dra. Itamara.


Cuidados odontológicos às crianças cardiopatas

O cirurgião-dentista precisa estar atendo ao tratamento em crianças cardiopatas, pois elas necessitam de acompanhamento odontológico na prevenção e na eliminação de focos infecciosos dentários.

Na atualidade, o número de crianças portadoras de cardiopatia congênita corrigida é bem maior do que há 20 anos, pois, diagnósticos e operações precoces são realizadas, até mesmo no dia do nascimento da criança. Isto tem reduzido o número e a gravidade das cardiopatias congênitas cianogênicas, onde ocorre baixa saturação periférica de oxigênio (SpO2), causando cianose importante.

"Recentemente, nosso grupo finalizou um estudo com essas crianças, submetendo-as a exodontia com anestésico com e sem vasoconstritor, tendo a SpO2 monitorada antes durante e depois do procedimento. As variações da SpO2 não foram significantes e não houve intercorrência clínica", comemora a especialista.

Um dos fatores determinantes no sucesso do cuidar dos pequenos cardiopatas é o vínculo de confiabilidade e compreensão do comportamento da criança e familiar. "O acompanhamento periódico é fundamental, evitando instalação de doenças bucais e prevenindo EI. Havendo presença de inúmeros focos e a não colaboração da criança para o atendimento ambulatorial com anestesia local, o tratamento sob anestesia geral está indicado, com a participação de um anestesiologista experiente e avaliação do cardiologista antes e depois da intervenção", esclarece a Dra. Itamara.


Formação e prática odontológica

Na opinião da Dra. Itamara, o profissional de saúde bucal não precisa saber tudo sobre uma determinada doença, mas ele deve entender sobre como o seu procedimento pode ter interação com o quadro da patologia, os medicamentos que o paciente está ou esteve utilizando e outras particularidades julgadas relevantes.

"O curso de graduação em Odontologia deveria ser integral e com duração mínima de seis anos, tendo no 5o e 6o ano, estágio obrigatório em hospital, considerando a residência em hospital após a graduação, um pré-requisito para qualquer especialização ou carreira acadêmica. Exponho isso, pois somente em um hospital ocorrerá a vivência com pacientes graves e agudos, e com equipes multiprofissionais. Também defendo a inclusão de maior número de horas na graduação nas disciplinas de Fisiologia, Microbiologia, Histologia, Farmacologia e Patologia Geral", manifesta-se a também especialista em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais. "Acredito também que deveria haver a obrigatoriedade do dentista em ter treinamento em suporte básico da vida. Estudos apontam que cerca de 7% dos profissionais entrevistados já precisaram aplicar manobras de ressuscitação cardiorrespiratória em seu consultório ou em outro local", sustenta a cirurgiã-dentista.

Na prática odontológica, as pendências psicológicas apresentadas pelo portador de cardiopatia também podem contar com o auxílio do profissional de saúde bucal. O paciente portador de doença cardiovascular e o seu familiar esperam encontrar no profissional a solução do seu problema, esperança de cura e segurança. "Quando se está doente, você se sente sozinho, como se somente você no mundo padecesse daquele mal. Quando seu filho está doente, você quer que tudo acabe rápido, porque seu sofrimento também é único. Por isso, a melhor forma de auxiliar seu paciente é sempre se colocar no lugar dele. Avaliar o fato de que aquela pessoa não pode trabalhar por causa da doença, muitas vezes não pode praticar seu esporte que tanto gostava, não pode ir fazer aquela viagem dos sonhos por conta do tratamento que terá que fazer. Outra forma de minimizar esses sentimentos é demonstrando segurança nas suas condutas, explicando o que e o porquê deve ser feito este ou aquele procedimento", explica.

A Dra. Itamara ainda lembra que os pacientes cardiopatas, na grande maioria dos casos, são temerosos em relação às intervenções, preocupam-se com os efeitos adversos do anestésico, com a dor e com o desconforto. Demonstrar segurança, ter um ambiente calmo e trabalhar com bom humor são receitas primordiais para a excelência no atendimento. (Fonte: Odontomagazine - Dr. Mauricio Ferrufino Sequeiros)