quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Você sabia que o dentifrício com menos flúor é eficaz contra a cárie?


Na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP), pesquisa da cirurgiã-dentista Cristiane Baldini de Almeida Cardoso aponta que um dentifrício de baixa concentração de flúor (F), com 550 partes por milhão (ppm) da substância, pode ser tão eficaz contra a cárie quanto um dentifrício convencional, que contém 1.100 partes por milhão (ppm) de flúor. A consistência líquida permite a aplicação de uma gota, reduzindo a sua quantidade na escova dental, e o pH ácido permite uma maior incorporação do flúor na placa bacteriana, favorecendo seu efeito anticárie.
“A vantagem é que este dentifrício pode ser deglutido pelas crianças numa quantidade maior do que o convencional, sem o risco de causar a fluorose dentária”, garante a cirurgiã-dentista. “Ele é tão eficaz contra a cárie quanto o dentifrício convencional, e ao mesmo tempo é mais seguro para evitar a fluorose”. O grupo de pesquisa de flúor da FOB desenvolveu uma formulação dentifrícia líquida de baixa concentração de flúor (550 ppmF) e pH ácido (4,5) para combinar as estratégias de redução da ingestão de flúor através do dentifrício.

Detalhes da pesquisa
A pesquisa foi realizada com 315 crianças de 2 a 4 anos de idade, procedentes de cinco escolas das diversas regiões da periferia de Bauru, que tem água fluoretada, durante o ano de 2010. As crianças tinham apenas a dentição decídua e utilizaram o dentifrício no período de um ano. Da mesma forma, numa parceria com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) a aluna de doutorado Dayane Mangueira analisou 215 crianças da cidade de João Pessoa (Paraíba), que não tem água fluoretada. O resultado apontou uma progressão menor de cárie em Bauru e uma progressão mais alta em João Pessoa.
A análise da progressão ou regressão das lesões de cárie foi feita clinicamente e utilizando o método da fluorescência quantitativa (QLF), que permite a detecção precoce, quantificação e monitoramento de lesões no estágio inicial da cárie. Este fator é uma vantagem em comparação aos dados qualitativos e subjetivos obtidos pelo exame visual convencional, porque com o aparelho foi possível detectar que o dentifrício de baixa concentração de flúor (550 ppm F) e pH ácido (4,5) é tão eficaz na prevenção do aparecimento de novas lesões e regressão de lesões cariosas pré-existentes, quanto o dentifrício convencional (1.100 ppm F e pH 7,0). Além disso, estes dois dentifrícios tiveram uma performance melhor do que o dentifrício de baixa concentração de flúor (550 ppm F) e pH neutro (7.0).

Gel dental
O dentifrício utilizado na pesquisa denomina-se “gel dental escovinha” e foi desenvolvido na FOB, durante a tese de doutoramento do aluno Fabiano Vieira Vilhena, sob orientação da professora doutora Marília Afonso Rabelo Buzalaf. O produto foi patenteado por intermédio da Agência USP de Inovação e foi o vencedor da I Olimpíada USP de Inovação, superando mais de 600 tecnologias de todas as áreas do conhecimento.


A fluorose dentária, que só acontece em criança, se manifesta como um defeito de desenvolvimento do dente, quando se tem uma ingestão excessiva de fluoreto no momento em que o dente está sendo formado, no caso da dentição permanente é de 1 ano até 7 anos de idade. Este defeito é caracterizado nos casos mais suaves por manchas esbranquiçadas opacas, e nos casos mais severos por manchas amarronzadas e até mesmo com perda de substância do esmalte, porque ele fica muito quebradiço e pode fraturar.


A pesquisa desenvolvida no Laboratório de Bioquímica da FOB recebeu o Prêmio Colgate de Pesquisa em Prevenção durante o 90º Congresso da Associação Internacional de Pesquisa Odontológica (IADR), realizado em junho de 2012, em Foz do Iguaçu (Paraná). O trabalho Efeito do pH e da concentração de flúor presente em dentifrícios líquidos no controle de cárie em área fluoretada: estudo clínico randomizado foi desenvolvido por Cristiane, doutoranda em Biologia Oral no Programa de Pós-Graduação da FOB, com orientação da professora Marília Afonso Rabelo Buzalaf. O prêmio selecionou os melhores trabalhos científicos em prevenção, apresentados por pesquisadores da Américas do Norte e Latina, Europa, África, Oriente Médio e Ásia.
 



quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Fluorose dentária: como tratar




A utilização dos fluoretos como meio preventivo e terapêutico da cárie dentária iniciou-se em 1945 e 1946 nos Estados Unidos e Canadá e, em 1951, a fluoretação de águas nos EUA passou a ser política oficial. No Brasil, a fluoretação ao tratamento das águas de abastecimento teve início em 1953, no estado do Espírito Santo. Em 1988, o fluoreto foi adicionado ao creme dental e, em 1989, mais de 90% dos produtos disponíveis para os consumidores estavam fluoretados. Tais dados históricos mostram o quão importante foi a descoberta e os estudos posteriores sobre os fluoretos, que significa-ram apenas no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, mais de 100 milhões de pessoas beneficiadas.

De acordo com a mestre em Saúde da Criança e do Adolescente, Helenice Biancalana*- diretora do departamento de Prevenção e Promoção de Saúde da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas -, "o uso do fluoreto na água e no creme dental tem sido responsável por significativo declínio da experiência de cárie na população infantil e adolescente brasileira e projeta importante mudança, que poderá conferir padrão de saúde bucal, distinto do atual, para as próximas gerações".

Ela lembra que os resultados da última pesquisa realizada pelo Projeto SB 2010, revelou que o valor médio de dentes atacados pela cárie, em crianças de 12 anos, foi estimado em 2,2 dentes atingidos, com ampla variação nas capitais: em Porto Velho, mais de quatro dentes por indivíduo estavam atingidos pela doença, enquanto, em Florianópolis, a média foi de menos de um dente por indivíduo. "Entre as possíveis hipóteses para essa desigualdade, pode ser ressaltada, entre outros aspectos, a ampla variação nas taxas de cobertura da fluoretação das águas de abastecimento", diz a Dra. Helenice.

Devido à importância da fluoretação de águas, em 2004 ela foi inscrita como parte do desenvolvimento de ações intersetoriais para expandir a medida em todo território brasileiro, garantindo sua continuidade e controle por meio de sistemas de vigilância compatíveis. "A concentração de fluoreto é um dos parâmetros para avaliar a qualidade da água. O monitoramento dos teores de flúor de fluoreto é uma importante tarefa da vigilância em saúde", acrescenta a especialista.



Outro meio de tratamento e prevenção da cárie é a solução fluoretada para bochecho semanal, usada em programas preventivos em escolas, como a solução de NaF a 0,2% (900 ppm de F-). "Sua efetividade como método de prevenção da cárie dental está suportada por estudos clínicos de qualidade. Os bochechos, assim como os dentifrícios fluoretados, promovem um aumento da concentração de fluoreto na saliva e no biofilme dental", explica.



O dentifrício fluoretado é um meio de utilização de fluoreto que deve ser recomendado para todos os indivíduos, de todas as idades, segundo ela. "Quando escovamos os dentes com dentifrício fluoretado, a concentração de fluoreto na saliva aumenta, permanecendo alta por uma ou duas horas. Mesmo 12 horas após a escovação, o biofilme remanescente em indivíduos utilizando dentifrício fluoretado de duas a três vezes ao dia terá maior concentração de fluoreto do que o biofilme de indivíduos não utilizando o dentifrício", nota.



De uso profissional, os produtos que contêm alta concentração de fluoreto (géis, verniz tipo Duraphat) também demonstraram sua eficiência clínica em estudos controlados. "Esses produtos, além de aumentarem a concentração de fluoreto na cavidade bucal no momento da aplicação, têm um adicional: formam reservatório de CaF 2. Esse mineral se forma pelo contato do fluoreto, em alta concentração no produto, com íons cálcio disponíveis na cavidade bucal. Quando é feita uma aplicação tópica de fluoreto serão beneficiadas não só as superfícies dentais que apresentam lesões ativas de cárie, mas também outras superfícies nas quais a lesão ainda não está visível", indica Biancalana.

Os meios adicionais de aplicação de fluoreto são só necessários quando há maior índice de cárie no paciente: "Indicar bochechos diários ou realizar aplicação profissional de fluoreto em indivíduos que controlam cárie pelo uso de água e dentifrício fluoretados não trará nenhum benefício. Por outro lado, indivíduos que não controlam o processo de cárie, seja devido a uma alta frequência de exposição a carboidratos fermentáveis, pela diminuição do fluxo salivar por medicamentos ou pela dificuldade de remoção do biofilme dental pela instalação de dispositivos ortodônticos, precisam de meios adicionais".

A Dra. Helenice ainda lembra que, além de todos estes meios, existem vários alimentos e bebidas que contêm alto teor de flúor e estão associados à presença da fluorose dental - peixes, mariscos, frango (quando alimentado com farelos de ossos), chás e outras bebidas, fórmulas infantis e leite, quando processados em regiões com água de abastecimento público fluoretada.

 

Consequência estética

Com tantos dados e fatos, constata-se que o contato com o fluoreto é tão importante que, constantemente, há o contato dos indivíduos com a solução - seja na água, nos alimentos e nos produtos de cuidado dental. Apesar de nem sempre os pacientes fazerem uma boa higienização - que inclui escovação com dentifrício fluoretado de duas a três vezes ao dia - a fim de evitar o surgimento e desenvolvimento das cáries. Por isso, surge o prejuízo estético do consumo e uso tópico do fluoreto: a fluorose dentária.

"A fluorose dentária origina-se da exposição do germe dentário, durante o seu processo de formação, a altas concentrações do íon flúor. Como consequência, têm-se defeitos de mineralização do esmalte, com severidade diretamente associada à quantidade ingerida", explica a Dra. Helenice, que ressalta: "a água otimamente fluoretada tem potencial de causar fluorose, mas restrita aos níveis muito leve e leve, que não comprometem a estética dos indivíduos. Crianças expostas a esta água não terão risco aumentado de fluorose se usarem uma pequena quantidade de pasta fluoretada para escovar os dentes".





Ou seja, o cuidado para que a criança não desenvolva a fluorose está diretamente ligado à ingestão do dentifrício fluoretado. "Os pais devem assumir a responsabilidade de colocar o dentifrício na escova, supervisionar a escovação ou estimular a criança a cuspir o dentifrício, sendo uma orientação por parte do cirurgião-dentista e dos profissionais de saúde aos pais e à própria criança", sugere. Além disso, os pais devem ser orientados sobre a concentração adequada de fluoreto: "As evidências mais atuais na literatura indicam que o uso de dentifrício com pelo menos 1000ppm deve ser recomendado para todas as crianças, a partir da erupção dos primeiros dentes, independente de sua classe social ou de seu risco de cárie".

Geralmente, o aspecto clínico da fluorose dentária é de manchas opacas no esmalte, em dentes homólogos, até regiões amareladas ou castanhas, em casos de alterações mais graves. "Além da dosagem de flúor, outros fatores interferem na severidade da doença: baixo peso corporal, taxa de crescimento esquelético e períodos de remodelamento ósseo constituem-se fases de maior absorção do flúor; estado nutricional, altitude e alterações da atividade renal e da homeostase do cálcio também são fatores relevantes", observa ela.

A especialista nota, com base nos estudos dos autores Jaime Cury e Lívia Tenuta, que o dente com fluorose não é mais suscetível à cárie por ser menos mineralizado que o não-fluorótico, e também não é mais resistente à cárie por possuir mais flúor. "Em acréscimo, se o paciente estiver em risco ou atividade de cárie, a aplicação tópica profissional de flúor é recomendável sem qualquer risco de aumentar a fluorose, ocorrida anos atrás, durante a formação do esmalte", explica.



Quanto aos produtos de uso profissional, como géis e vernizes, "não estão relacionados ao desenvolvimento de fluorose, embora cuidados devam ser tomados quanto ao risco de intoxicação aguda".

O tratamento com fluoreto é o mesmo nos dentes com fluorose, portanto, a estética é o fator mais comum deste diagnóstico. Com isso, surgiram diversos índices para medir a gravidade deste prejuízo estético.


Índices

A Dra. Helenice Biancalana acredita que "a diversidade dos índices utilizados para a mensuração da doença dificulta a comparabilidade dos estudos", mas que apesar das diferenças entre os estudos, é de fundamental importância que os mesmos descrevam os casos de moderados a severos da doença. "Estes são os considerados de importância para a saúde pública, pois provocam alterações estéticas e funcionais significativas, e percebidas como de relevância social para a comunidade", acrescenta.

Dentre os índices, têm-se o TF - Thylstrup e Fejerskov - (Fejerskov et al., 1994), que classifica a fluorose dentária em nove graus de severidade, e se propõe a precisar diferentes categorias de comprometimento do esmalte dentário nas formas mais graves, utilizando profilaxia prévia e secagem durante o exame clínico. Costuma ser o mais indicado para populações com altas exposições a fluoretos ou alta prevalência da doença.

O índice de Dean (1934) é baseado em variações no aspecto estético do esmalte, desde normal/questionável até a forma grave, abrangendo seis categorias. É um índice bastante utilizado, embora seja incapaz de descrever com clareza gradações importantes das formas mais severas da doença, já que estas estão agrupadas em uma única categoria.

Já o índice TSIF, proposto por Horowitz em 1987, utiliza a superfície dental (oclusal, vestibular e lingual) como unidade de análise, classificando-as em oito categorias, sendo de 1 a 3 variações nos graus de opacidade, enquanto de 4 a 8 graus de manchamento ou cavitação da estrutura.

 

Fluorose dentária em categorias

O índice de Dean (1934), como base de diagnóstico amplamente utilizado e recomendado pela OMS (1999), divide a fluorose dentária em seis categorias:

0. Normal: esmalte superficial liso, brilhante e geralmente de cor branca bege pálida.

1. Questionável: esmalte apresenta leves alterações na translucidez de esmalte normal, que podem variar desde pequenos traços esbranquiçados até manchas ocasionais.

2. Muito leve: áreas pequenas e opacas de cor branca, porosas e dispersas irregularmente sobre o dente, mas envolvendo menos de 25% da superfície dentária vestibular.

3. Leve: opacidade branca do esmalte mais extensa do que para o código 2, recobrindo menos de 50% da superfície dentária.

4. Moderada: superfície de esmalte apresentando desgaste acentuado e manchas marrons, frequentemente alterando a anatomia do dente.

5. Severa: superfície do esmalte muito afetada e hipoplasia tão acentuada que o formato geral do dente pode ser afetado. Existem áreas com fóssulas ou desgastes e manchas marrons espalhadas por toda parte. Os dentes frequentemente apresentam aparência de corrosão.



 

Tratamentos

"Tem sido sugerido que 0,05 a 0,07 mg F/kg/dia deve ser a dose máxima aceitável em termos do balanço riscos/benefícios de exposição a fluoreto, sem ainda nenhuma evidência experimental", inicia a Dra. Helenice sobre a forma inicial de prevenção da fluorose durante a formação dos dentes.

A maior prevalência de fluorose é de grau muito leve e leve, que muitas vezes passa até despercebida pelo próprio familiar ou paciente, sem necessitar de tratamento clínico. "Os casos de fluorose com comprometimento estético relatado pelo paciente, não pelo dentista, podem ser eficazmente tratados com microabrasão ácida, porque a camada de esmalte alterada é superficial", continua.

"Já a fluorose de grau moderado com manchamento, algumas vezes pode requerer um tratamento estético como microabrasão e, conforme indicação e planejamento do profissional, até um clareamento", diz ela. Nas fluoroses dentárias de grau mais severo, "o tratamento estético deve ser restaurador".

Para a especialista, considerando o equilíbrio entre os riscos e benefícios do uso dos dentifrícios fluoretados na população, é possível confirmar, mais uma vez, que, uma pequena quantidade de fluoreto deve ser utilizada "para que se tenha o efeito anticárie desejado, sem ultrapassar o limite de segurança do risco de fluorose que comprometa as questões estéticas", finaliza. (Fonte: V. Navarro - Dr. Mauricio Ferrufino Sequeiros )

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Odontologia do sono


Quando dormimos, os músculos das vias aéreas se relaxam, assim como toda a musculatura do corpo. Dessa forma, o espaço por onde passa o ar que respiramos acaba sendo reduzido. Ao passar por esse estreitamento, o ar faz os tecidos, como o palato mole, a língua e as amígdalas vibrarem, produzindo o ruído característico do ronco. Problemas, como a obesidade agravam a situação, porque o acúmulo de gordura local diminui, ainda mais, o espaço para a passagem do ar.

O ronco traz graves problemas de relacionamentos, uma vez que incomoda o sono dos outros familiares. O ronco também pode ser sintoma de uma condição clínica muito mais grave, que é a Síndrome da Apneia e Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS). A apneia do sono é causada por uma obstrução total nas vias aéreas superiores. Na grande maioria dos casos, a obstrução está relacionada à obesidade, que reduz o tamanho da via aérea faríngea. Algumas vezes, a apneia também é causada por alterações anatômicas nas vias respiratórias superiores, pela hipertrofia das amídalas ou retrognatismo das bases esqueléticas.


Na presença de retrognatismo mandibular, a estética do rosto, a mastigação, as articulações têmporomandibulares e a respiração também ficam comprometidas com consequências muito ruins em longo prazo.



Cada vez que ocorre uma apneia, há uma diminuição rápida da oxigenação sanguínea e da saturação de oxigênio. A fim de evitar a morte por asfixia, o organismo envia um "sinal" ao cérebro, despertando-o por tempo suficiente para conseguir desobstruir a garganta. Ou seja, ocorre um microdespertar que o indivíduo não percebe e nem lembra no dia seguinte.

Nos casos mais graves, esse fenômeno pode se repetir em até 1000 vezes, em cada noite de sono. Após cada microdespertar, ocorre também uma descarga aguda de hormônios do estresse, como adrenalina e outros que, aliada a queda da oxigenação sanguínea, pode desencadear arritmias cardíacas, infarto do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (AVCs) durante o sono. Além disso, a apneia do sono, se não tratada, pode ocasionar ou agravar várias doenças, como diabetes, obesidade, hipertensão, insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio, arritmias cardíacas, AVCs, entre outras.



Devido ao grande número de microdespertares pelas apneias repetidas, o sono se torna fragmentado, ocorrendo diminuição do sono profundo e do sono REM (rapid eye movement fase onde ocorrem os sonhos e é caracterizada pelo movimento rápido dos olhos). O sono profundo é fundamental para a recuperação do corpo; o descanso, propriamente dito. Já a fase REM é importante para a consolidação do aprendizado e da memória. Assim, a apneia do sono é uma das causas mais comuns de fadiga, sonolência e dificuldades de aprendizado e memória.

Existem algumas modalidades de tratamento que os cirurgiões-dentistas precisam conhecer, como o uso do CPAP (contínuos positive air pressure), que é um dos tratamentos mais comuns para apneia do sono. É também a forma mais conservadora e aceita de tratamento da apneia do sono por pacientes que não desejam ou não podem se submeter ao tratamento cirúrgico. Consiste no uso de pressão positiva de oxigênio aplicada às vias aéreas superiores durante o sono, por meio de máscara nasal ou facial, possibilitando, assim, a passagem do ar. O uso do CPAP pode melhorar, drasticamente, a qualidade de vida e proteger das complicações graves da apneia do sono, tais como: AVC, infarto, aumento de peso e pressão arterial.



Outra modalidade de tratamento comumente aceita para o ronco e apneia do sono são os aparelhos intraorais. Estes dispositivos devem produzir avanço gradual da mandíbula, possibilitando a desobstrução das vias aéreas. Apesar de esses aparelhos conseguirem um bom resultado, eles têm limitações importantes no tratamento da apneia, não devendo ser utilizados em pacientes com acentuada dessaturação de oxigênio sanguíneo ou em pacientes com apneia severa. Estas limitações sugerem um tratamento multidisciplinar durante as fases diagnósticas, pois sem uma avaliação adequada do paciente pelo especialista do sono e do exame de polissonografia, é possível que ocorra um cuidado ineficaz.




Os dispositivos intraorais para o tratamento do ronco e apneia do sono obstrutiva começaram a aparecer no início da década de 1990, primeiramente com o uso de placas interoclusais, que aumentavam a dimensão vertical de repouso; posteriormente, pela modificação de aparelhos funcionais, como o de Herbst, Planas, entre outros, que possibilitavam o avanço mandibular, principal recurso terapêutico contra o ronco e a apneia.


Recentemente, com o avanço das pesquisas, já é possível determinar algumas das características ideais para esse tipo de dispositivo, que incluem, principalmente a possibilidade de avançar gradualmente a mandíbula, permitir movimentos laterais mandibulares, possibilitar a estabilização da mandíbula, não permitindo que o paciente abra a boca, além de um pequeno limite, para evitar a posteriorização reflexa da língua.

Finalmente, o tratamento definitivo para a apneia do sono, e que é eficaz também para retrognatismo maxilomandibular grave, consiste em combinar o tratamento ortodôntico, que alinhará os dentes, com a cirurgia ortognática, que corrigirá a deformidade esquelética. Os resultados são permanentes e também melhoram muito a estética geral do rosto, tratando com grande eficiência as limitações respiratórias e funcionais ligadas à anatomia da pessoa retrognata, além de melhorar muito a estética e a autoestima e, consequentemente, a qualidade de vida dos pacientes após a cirurgia.

Por meio das mais inovadoras tecnologias para o diagnóstico e planejamento digital 3D é possível, hoje, a simulação de tratamentos e customização de guias terapêuticos, o que leva a obtenção de resultados mais seguros e previsíveis, tornando o procedimento mais rápido e com um pós-operatório muito mais tranquilo. (Fonte: Dr. Accorsi - Dr. Mauricio Ferrufino Sequeiros)


OrthoMundi apresenta ao mercado odontológico afastadores bucais com qualidade premium


Os afastadores estão disponíveis em quatro modelos: afastador labial autoclavável, afastador com retrator de língua autoclavável, afastador para fotografia autoclavável e afastador anterior esterilizável a frio.
Os afastadores são flexíveis, para que possam se ajustar aos pacientes com extremo conforto; possuem boa memória de forma para afastar lábios e são muito resistentes para usos contínuos. (Fonte: Orthomundi)


A suíça Curaprox apresenta a nova geração de escovas dentais



Indicada para ser utilizada entre os sete e 15 anos de idade, a escova Smart possui um cabo mais curto, uma cabeça mais compacta e 7600 cerdas de Curen® com filamentos de 0,08mm de diâmetro do tipo ultramacias e, além de tudo, há 12 opções de cores diferentes.



As interdentais Curaprox Prime contam com filamentos ultrafinos,  macios, flexíveis e com extremidades arredondadas que respeitam a região da gengiva. Elas alcançam todos os nichos de retenção da placa bacteriana, permitindo sua remoção ou desorganização.

Já a Curaprox 5460 Ortho possui uma canaleta central de cerdas rebaixadas, permitindo que a escova encaixe sobre o aparelho ortodôntico, favorecendo a higienização. Com 5460 cerdas ultramacias, ela realiza uma escovação efetiva e atraumática, além de favorecer a limpeza dos braquetes e do arco dos aparelhos ortodônticos, evitando o desgaste prematuro da escova. (Fonte: Curaprox)


Ionômero de Vidro

Atualmente é considerado o material de escolha para uma variedade de procedimentos clínicos em Odontopediatria. Sua utilização é interessante devido às suas propriedades satisfatórias, dentre elas, a adesão aos tecidos mineralizados, a biocompatibilidade, o coeficiente de expansão térmica semelhante ao dente e, principalmente, a liberação de flúor. O objetivo deste trabalho é o de descrever as principais indicações do cimento de ionômero de vidro na prática odontopediátrica, destacando-se, dentre elas, seu uso para selamento de cavidades durante a etapa de adequação do meio bucal, o tratamento restaurador atraumático, como selante de fossas e fissuras, como base de restaurações, como material restaurador, na técnica do amálgama aderido e para cimentação de coroas de aço cromado e mantenedores de espaço fixos.
Utilização de materiais que confiram Proteção de CDP
·         Estimulo tênue
·         Microinfiltração
·         Ação terapêutica.

Indicação do material depende
·         Profundidade da cavidade
·         Características pulpares
·         Material restaurador definitivo.

Comercial
·         Pó e liquido
·         Cápsulas

Classificação – indicação
Tipo I – cimentação (fluido);
Tipo II – restauração (propriedades mecânicas melhores);
Tipo III – base (intermediário).
Composição
·         Partícula de vidro (pó) SiO2;
·         Ácido poliacrílico (líquido) Al2O3 CaF2.

Reação da presa
Partícula do pó e atacada pelo ácido e libera íons.
·         Cadeias de ácidos poliacrílicos se ligam através dos íons C+2 – aumento do comprimento das cadeias
·         Cadeias do ácido poliacrílico se ligam através dos íons Al+3 ramificações das cadeias;
·         Reação ácido-base;
·         Acelerada pelo calor;
·         Sensível ao ganho e perda de água;
·         Longo tempo de presa – proteger as ramificações nas primeiras horas.

União estrutura dental
União química com a estrutura dental.
1° Aplicação do liquido (ácido poliacrílico) na cavidade.
·         Limpeza e condicionamento da estrutura dental.
2° Homogeneização do pó (mexer).
3° Proporcionalidade do pó e do liquido.
Espatulação (aglutinação)
Massa final homogênea e brilhante.
Uso da seringa Centrix.
·         Acabamento inicial
·         Protege a superfície pelo período inicial para evitar que ele perca ou ganhe água
1.    Esmalte incolor
2.    Adesivo
3.    Verniz.
·         Bom vedamento marginal (com) em dentina e em esmalte
– Adesão química à estrutura dental.
·         Liberação de flúor
– Ação anticariogênica
·         Compatibilidade com o periodonto;
·         Boas vantagens.

Desvantagem
·         Solubilidade alta
·         Estética não satisfatória
·         Difícil inserção na cavidade (sem centrix)
·         Não compatível com a polpa.

Indicações
·         Tratamento expectante
·         Adequação de meio
·         Cementação definitivo
·         Restauração de dentes decíduos

CIV modificado por metais
·         Propriedade mecânicas elevadas
·         Menor liberação de flúor.

CIV modificado por resina
·         Sensibilidade à umidade e baixa resistência imediata
·         Adição de monômeros e iniciadores fotossensíveis. (Fonte: UP)